Ok, eu confesso: quero muito fazer a minha viagem mocilão pela Europa, mas quando pensei que este ano a escolha das férias seria minha, fiquei com uma preguiça danada de ficar mudando de cidade, pegando trem, "tendo que ir"a museus, praças, monumentos históricos... Devo estar parecendo bastante inculta falando isso, mas é verdade. Enfim, como mais uma vez as férias do Julio foram marcadas para novembro (frio no velho continente para passear pelos jardins e aproveitar as praias do mediterrâneo), resolvemos repetir e ir pro Hawaii (Kauai e Oahu), passando antes em LA (parques escolhidos pelo nosso pequeno viajante) e, na volta, esticando até o Big Bear, estação de esqui perto de LA, que, segundo informações do site, deve ter neve no final de novembro. Sei não...
Bom, na verdade essa decisão não foi tão simples assim. Certo dia, me irritei com os armários da minha casa e disse ao Julio: "Esse ano a escolha das férias é minha, né? Pois bem, não vamos viajar pra fora, vamos economizar e usar o dinheiro pra fazer os armários e projetar o quarto do Lucas!" A resposta: uma sonora gargalhada seguida de "você tá maluca, né? eu trabalho o ano todo pensando nas férias e você não quer viajar?!?!" Ok, tá certo, a vida é curta e deve ser aproveitada! Concordei, mas também decidi que vamos nos encalacrar e fazer os armários também! Só que decidimos isso 15 dias antes de embarcarmos. Foi uma correria insana! Fazer malas, esvaziar armários, encaixotar tudo... em dois dias! Ainda bem que tive a preciosa ajuda da minha "personal organizator tabajara", conhecida como mamãe! E meu pai ficou responsável por "acompanhar" a obra e manter contato com a profissional contratada (que até o final da nossa viagem vai ficar cansada de ler meus emails. rssss).
A nossa temporada pré-viagem também foi muito turbulenta no campo emocional. Minha avó paterna, depois de lutar bastante, faleceu em agosto, me deixando com um emaranhado de sensações confusas: arrependimento, tristeza pela perda e pelo "não vivido" e pelo tempo desperdiçado... Pouco mais de dois meses depois, minha vozinha materna também se foi, deixando em mim (a neta preferida) uma tristeza enorme, saudades eternas e boas e felizes recordações dos anos vividos ao seu lado, onde me mantive até o seu último dia... Passados quinze dias, no dia do nosso embarque, o padrasto (que foi mais que um pai) do Julio, vovô Roberto, homem forte, guerreiro, caridoso, íntegro, culto, inteligente e de ótima conversa, também sucumbiu, abalando ainda mais os nossos corações entristecidos...
Então, com a certeza de que os novos moradores do céu estarão olhando por nós, decidimos manter nossos planos de viagem e seguimos em frente, levando-os nos nossos pensamentos e orações.
Como diz o Lucas, "eles morreram e estão felizes morando nas nuvens com o Papai do Céu", então, seguimos na vida e lá fomos nós pro aeroporto. Lucas e eu levando nossas coisinhas em uma mala (e mais uma vazia) e o Julio com as "coisonas" dele (roupas e kite) em outra mala, além de uma prancha gigantesca! Ah, vocês devem estar pensando: pô, por que não aluga uma prancha de surf no Hawaii? A resposta: porque o Julio mandou fazer essa prancha de SUP para a viagem e não é de surf (SUP é aquela gigante que o cara fica remando em cima, praticamente uma canoa)!!! Juro que não falei nada, fiquei controladinha, só imaginando o perrengue que seria fazer conexão com aquela tralha gigante, carregar pelos aeroportos, prender nos tetos dos carros, entrar nos elevadores dos hotéis... Já no aeroporto, pudemos sentir como seria levar aquele troço: estacionamos no terminal 2 (porque viajamos de United e, segundo consta na infraero, os seus voos saem do terminal 2), porém esse voo saía do terminal 1. Tivemos que andar até lá carregando toda a bagagem e o Julio carregando aquele troço. E eu controladinha, sem falar nada porque sabia que as minhas ponderações práticas não adiantariam. Eis que, no check in, a United informou que cobraria $200,00 por cada trecho de voo, o que daria um total de $800,00!!! Aí, mexeu no bolso e o Julio desistiu de carregar a prancha!!! Coitado, fiquei com pena, ele ficou super decepcionado, mas tenho certeza de que foi melhor assim. O Julio, então, correu até o terminal 2, pegou o carro, prendeu a prancha do teto e meus pais voltaram para casa com a bendita!!! Ufa!!!
E, finalmente, embarcamos para mais uma longa viagem...
foi tudo muito punk mesmo!!!!! as perdas irreparáveis, mas temos que superar e tocar a vida. você só esqueceu de contar um detalhe: além disto tudo, caiu um bloco do julio na hora de sair de casa para o aeroporto.não querendo te desanimar, mas acho melhor voces esticarem a viagem por mais uns dois meses porque o lugar onde moravam virou um muquifo..... aproveitem bastante, curtam muito a viagem, divirtam-se a valer. amo voces, milhões de beijos, mamãe
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